
A Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG) lança uma campanha estadual pelo parto seguro. O objetivo é mobilizar a comunidade médica para uma melhor informação às mães quanto à forma mais indicada de nascimento em cada situação. O movimento tem o apoio da Associação Médica de Minas Gerais, do Conselho Regional de Medicina e do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais.
Segundo o presidente da SOGIMIG, João Pedro Junqueira Caetano, existe em curso hoje, no Brasil, um movimento pela humanização do nascimento ou da assistência obstétrica devido ao aumento significativo do número de cesarianas principalmente nos países em desenvolvimento. “O parto natural é, sem dúvida, a melhor alternativa para mãe e bebê em condições normais de saúde. Alguns fatores, porém, precisam ser considerados antes de transformar a cesariana em uma vilã, como tem sido feito atualmente. Afinal, a enorme aceitação por parte das mulheres não veio por acaso e a cesariana se mostra necessária em várias situações como para evitar o sofrimento fetal e a mortalidade materna”, ressalta.
Caetano explica que a cesariana contribuiu para a redução dos altos índices de morbiletalidade materno-neonatal, juntamente com fatores históricos como a urbanização, a melhoria nas condições de vida da população, a disponibilidade de outros serviços como saneamento básico e água potável, além da redução do número de filhos. “A cesariana, portanto, não pode ser desprezada como um grande benefício à saúde da mulher e das crianças”, ressalta.
A cesariana é indicada em várias situações, como por exemplo: se não houve dilatação completa do colo do útero; se a bacia da mãe é muito pequena e não dá passagem para a criança; se durante o trabalho de parto surge o sofrimento fetal (demora que pode causar falta de oxigenação); se ocorrer o descolamento prematuro da placenta (que ocasiona hemorragias e falta de oxigenação); se houver risco de eclâmpsia ou pré-eclâmpsia (acesso convulsivo da parturiente); se, em mulheres de primeira gestação, a posição da criança não é adequada (ao invés de ela estar de cabeça para baixo, está sentada, por exemplo); se houver insuficiência placentária ou a sensibilização do feto pelo fator Rh.
“A questão não é defender o parto normal ou a cesárea, e sim o PARTO SEGURO. O médico tem o dever de priorizar o parto normal, mas é preciso avaliar rigorosamente cada caso, pois nem sempre o parto normal é a melhor opção”, defende Caetano. O médico lembra, ainda, que o aumento do número de cesarianas é um fato mundial e se deve, sobretudo, ao avanço tecnológico, facilitador de um diagnóstico tão acurado das condições da criança no útero que, em alguns casos (em centros mais avançados), é possível até mesmo curar certas doenças fetais. “É claro que essas técnicas inovadoras não justificam, por elas mesmas, o excessivo número de cesarianas no Brasil. Mas também não podemos desprezar esses avanços”, avalia.
O presidente da SOGIMIG alerta que as mães devem sempre procurar a orientação do médico sobre a forma mais segura. “O parto normal deve ser a primeira opção. Não é aconselhável fazer uma cesariana sem que haja necessidade. Mas, se não for possível o normal, a cesariana é uma solução - e não um problema”.
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