O mobile payment tem sido um importante instrumento de pagamento no Brasil. Algumas iniciativas ganham mercado e, aos poucos, dividem espaço com os pagamentos efetuados por cartões de crédito, cheque e dinheiro. Especialistas acreditam que - no futuro - o pagamento via celular não será apenas utilizado para a efetivação de uma compra, mas agregará funcionalidades no auxílio em cobranças (complemento aos boletos) e será ponte importante para débitos em conta-corrente, concessão de crédito e remessas de valores.
Maurício Ghetler, consultor da MGSystem, diz que o mobile payment não é um produto e sim um instrumento para criação de um conjunto de oportunidades. “A mobilidade via celular é uma plataforma para o desenvolvimento de produtos que podem ir de simples compras à autenticação para a circulação de maiores valores”. Ele afirma que as estratégias de negócios nesta área devem contemplar o compartilhamento de tecnologias disponível para todos os consumidores e que atendam, portanto, todas as instituições financeiras, operadoras de telefonia e redes de captura.
Pensamento semelhante, no que diz respeito ao compartilhamento, tem José Antonio Marciano, do Banco Central. O executivo diz que as operações compartilhadas reduzem custos e aumentam a capilaridade das transações, culminando com menor custo à população. Marciano ressalta, ainda, que se todas as transações de dinheiro fossem feitas através da eliminação dos cheques (contemplando também cartões de crédito, débito e outros instrumentos eletrônicos) o Brasil economizaria algo em torno de 0,7% do PIB ao ano.
Para Ghetler, a concorrência neste segmento está no produto bancário acoplado a ele e não na captura das transações. “É impossível imaginar que o consumidor irá carregar consigo 4 ou 5 aparelhos para poder utilizar as tecnologias como acontece hoje com os cartões”, ressalta.
A Oi Paggo, que já disponibiliza tecnologia para transações via celular, já mantém um rede aberta para novos players e pretende ampliar as funcionalidades das suas iniciativas em mobile payment. Leonardo Caetano, executivo da companhia, conta que já existem dois projetos em andamento: um irá contemplar recarga de créditos para os aparelhos e outro voltado para o pagamento de refeições. “Estamos experimentando novos produtos. Atualmente nossa solução de móbile está acessível para 150 mil usuários e distribuídas em 12 mil lojistas”.
Os executivos participaram do painel “Mobile Payment - Os impactos dessa tecnologia na indústria financeira” durante o C4 - Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor. Completou o painel Gastão Matos, presidente da M-Cash, empresa que desenvolve com sucesso operações de pagamento via celular no comércio eletrônico e em lojas físicas. Para ele, os 110 milhões de aparelhos celulares no Brasil, por si só, traduzem um potencial enorme para novos negócios neste ramo.
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